Mas afinal, o que é doença preexistente e qual o seu sentido dentro da
legislação que regulas os planos de saúde e os direitos do consumidor? Antes de
mais nada, é importante esclarecer que, do ponto de vista estritamente médico,
não há conceito que defina a noção de “doença
preexistente”. Com efeito, essa noção foi criada pelas empresas
operadoras de planos e seguro saúde como uma forma de afastar a cobertura de
doenças que o consumidor eventualmente já possuísse anteriormente à contratação
do plano ou seguro saúde. De fato, a legislação atual incorporou tal premissa
conceituando a doença preexistente como “aquelas que o consumidor ou seu
responsável saiba ser portador ou sofredor à época da contratação do plano”
(Art. 1º, Resolução nº 2, CONSU). O fato de uma patologia vir a ser considerada
preexistente ou não incide diretamente sobre os prazos de carências a serem
observados. As atuações das operadoras
de saúde e as entidades que as conduzem como a FENASAÚDE, na constante
negatividade dos tratamentos, com argumentos cada dia mais pífios como doenças
preexistentes estão a beira de obter um poder maior do que o próprio Ministério
da Saúde com aval da ANS. As negativas para tratamentos de diferentes
patologias estão a cada dia tomando uma proporção que nem o judiciário
conseguirá dar conta da demanda. Ocorre que, embora a princípio legítima a
premissa, é muito difícil, para não dizer impossível, determinar quando uma
doença não congênita passa a se manifestar. Os pacientes estão entrando em
estado de total desespero a ponto de buscar recursos complexos para utilizar o
judiciário a titulo de ter sua dignidade de vida salvaguardada. Quem pode
condenar um portador de doença crônica a lutar pelos seus direitos? O problema
nesse caso é que não detemos conhecimento absoluto para saber diferenciar o
advogado especialista em direito e saúde e o que pode parecer a solução em até
48 horas, uma liminar judicial, pode virar um grande pesadelo ao final do
processo.
terça-feira, 29 de março de 2016
domingo, 18 de maio de 2014
COLUNA SEUS DIREITOS: MEDICAMENTOS DERIVADOS DA MACONHA
A
França, um dos países com legislação mais conservadora em matéria de drogas no
Ocidente, aprovou a entrada no mercado de Sativex,
o primeiro remédio à base de maconha a ser liberado pela Agência Nacional de
Segurança Medicamental (ANSM), órgão do Ministério da Saúde. O spray bucal,
fabricado pelo laboratório britânico GW Pharmaceuticals, é recomendado para
esclerose múltipla.
A
justiça brasileira autorizou, pela primeira vez, a importação de um medicamento
derivado de maconha contra a epilepsia. A droga deve aliviar as convulsões que
infernizam a vida de Anny de Bortoli Fischer, uma garotinha de 5 anos de Brasília.
Indo além, a ONG PORTAL SAÚDE
conseguiu que os planos de saúde paguem a importação do medicamento.
Nos
Estados Unidos, Epilepsy Foundation, organização que apoia pessoas epiléticas e
seus familiares, vem defendendo o amplo acesso dos pacientes a esse
medicamento. A Fundação diz que há 2,3 milhões de americanos com epilepsia e
que, desses, 1 milhão sofrem com convulsões incontroláveis.
Em
casos extremos, essas convulsões podem matar a pessoa. O canabidiol não cura a doença, é claro. Mas tem se mostrado mais
eficaz que outras drogas no alívio das crises. Há, porém, dúvidas sobre seus
possíveis efeitos nocivos em tratamentos prolongados, já que faltam testes
clínicos com a droga.
O
Sativex, remédio feito à base de maconha, pode estar a caminho do Brasil. A
empresa farmacêutica britânica GW Pharma revelou ao site de VEJA que iniciou
discussões com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a
possibilidade de vender o medicamento — indicado para tratar sintomas de
esclerose múltipla — no país. "Temos um interesse muito grande no mercado
brasileiro e gostaríamos de obter a aprovação para o remédio na América do
Sul", afirma Mark Rogerson, relações públicas da empresa.
Para
Adriana Leocadio – especialista em
direito e saúde e fundadora da ONG
PORTAL SAÚDE o que pouco se divulga é que se o medicamento estiver aprovado
pelo FDA e União Europeia o Brasil é obrigado a fornecer graças a nossa
Constituição Federal, tanto pela Saúde Pública como os planos e seguros de
saúde.
A
informação é nossa maior aliada, lutem pelos seus direitos! Estamos à sua
disposição no e-mail: contato@portalsaude.org
ou pelo fone: (11) 9.9905.6373
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Planos de Saúde: CONDENAÇÃO A LABORATÓRIOS DE UBERLÂNDIA POR DANO MORAL É CONFIRMADA.
Acórdão do TJMG ratifica decisão
de 2009. À época dos fatos, para ter acesso a determinados exames, consumidores
pagaram valores não incluídos nas mensalidades. Acórdão da 15ª Câmara Cível do
Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) publicado no dia 2 deste mês
ratifica decisão judicial de 2009 na qual 16
laboratórios de exames de análises clínicas e de diagnóstico por imagens
foram condenados por dano moral coletivo - R$ 100 mil - pela prática de abuso
em face de consumidores de plano de saúde. Em 2009 a Justiça de Uberlândia já
havia se pronunciado favorável à condenação dos réus. Porém, os laboratórios
acabaram recorrendo.
ENTENDA O CASO
A ACP, assinada pelos promotores
de Justiça, apontou os consumidores prejudicados (na maioria das vezes, pessoas
idosas e portadores de câncer), que tiveram de desembolsar valores, incluindo o
da mensalidade paga às operadoras de saúde, para conseguir acesso aos exames. A
ação considerou que a imposição, pelos laboratórios, da Classificação
Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) - tabela de
honorários - sem a devida negociação com as operadoras, bem como a seguida cobrança
da diferença feita aos usuários atentavam contra a função social do contrato em
razão dos efeitos negativos endereçados aos consumidores. Os promotores de
Justiça relatam na ACP que os laboratórios, além de abusar de posição
dominante, agiram de forma coordenada porque, naquela oportunidade, dominavam o
mercado relevante de prestação de serviços médicos e impediam a livre
concorrência já que agiam homogeneamente no mercado.
Acompanhando esse caso bem de
perto, nossa ONG Portal Saúde lamenta muito que fatos como esse só ocorram em
cidades como Uberlândia, por exemplo. Se essa realidade fosse aplicada em São
Paulo – capital, por exemplo, eu gostaria de saber como ficariam alguns
laboratórios de analises clinicas e imagens que dominam o mercado do qual as próprias operadoras são as
donas.
Mesmo concordam com a atitude dos
Promotores de Uberlândia, Adriana Leocadio – Membro da Organização Mundial da
Saúde (OMS) declara ter dúvidas em relação algumas questões apontadas nessa
condenação. Atualmente 80% dos seguros e planos saúde trabalham com a
modalidade conhecida como “livre escolha”, ou seja, eu mesma só uso meu
reembolso nas consultas médicas e realização de exames, afirma Adriana. Em
nenhum momento me senti exposta a situações vexatórias, pelo contrario, sempre
me senti bem mais segura por ter escolhido Laborátorios referenciados pelo
próprio mercado e em especial pelo medico que me trata: Fleury, HIAE, HSL,
entre outros.
Nossa ONG Portal Saúde tem casos
de pessoas que utilizaram laboratórios disponibilizados pelos seus planos de
saúde, aquele que passamos a carteirinha e tudo pago, exemplo: Delboni,
Lavosier, A+, entre outros. Onde receberam diagnósticos errados, algo muito
sério. Em nome do financeiro não podemos abrir mão da qualidade.
Para os planos e seguros de saúde
o ideal de consumo é os laboratórios credenciados, até mesmo porque eles são os
donos desses laboratórios, dos hospitais de clinicas médicas... esse é outro ponto que Adriana Leocadio
alerta.
Achei extremamente interessante
extrair esse trecho da decisão judicial de Uberlândia: “Resta latente que as
requeridas subverteram o equilíbrio e a
boa-fé objetiva, que devem
prevalecer nas relações de consumo, quando, em um primeiro momento, criaram
um empecilho à livre concorrência...” Será que isso também não se aplica as
operadoras de saúde quando querem retaliar os pacientes que optam em utilizar
seu sistema de LIVRE ESCOLHA?
REFLEXÃO!!!!
quarta-feira, 15 de maio de 2013
MASTECTOMIA DE ANGELINA JOLIE LEVANTA DEBATE SOBRE CIRURGIA PARA CÂNCER
Com custo de R$ 6 mil,
exame para detecção de mutações e prevenção da doença ainda não é oferecido
pela rede pública e privada brasileira. A
revelação feita ontem pela atriz americana Angelina Jolie de que fez uma dupla
mastectomia para reduzir as chances de ter câncer de mama desencadeou um debate
no Brasil sobre a realização de testes genéticos para a detecção de mutações
que podem aumentar o risco da doença. Com custo avaliado em R$ 6 mil, o exame
ainda não é ofertado pela rede pública de saúde e os planos de saúde também
ignoram o fato.
Estudos mostram que o
câncer de origem genética não é raro. "No caso do câncer de mama, a taxa é
de cerca de 10% e as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 respondem por cerca 70%
de todos os casos hereditários de câncer de mama e ovário", afirma Maria
Isabel Achatz, diretora de Oncogenética do A.C. Camargo Cancer Center (novo nome
do Hospital A.C. Camargo). Com a mutação, o risco de desenvolver câncer de mama
ao longo da vida pode variar de 40% a 90%, explica Carlos Alberto Ruiz,
presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia. Na população em geral, esse
índice fica em torno de 5%. Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, diante
do diagnóstico de mutação genética, a maioria das mulheres opta por retirar as
mamas. "Elas programam essa decisão e geralmente se submetem ao
procedimento depois de amamentar seus filhos", afirma Marcelo Sampaio,
cirurgião plástico do Hospital Sírio-Libanês.
O método deve ser encarado
como opção porque é o único que vai reduzir em até 95% a probabilidade para o
desenvolvimento do câncer em portadores da mutação.
Exame. O teste genético que
identifica o maior risco de desenvolver a doença está, aos poucos, se
popularizando no Brasil, mas só em pacientes que podem arcar com os custos de
uma clínica particular. Há dois anos, o Departamento de Aconselhamento Genético
do Sírio-Libanês, por exemplo, realizava cerca de três a cinco testes por mês.
Hoje, são oito a dez por semana. Adriana Leocadio, representante da ONG Portal
Saúde ressalta que o acesso a evolução da medicina preventiva não pode ser
restrita a poucas pessoas com condições financeiras para custear. Nossa
recomendação para quem tem plano de saúde e quer realizar esse exame, consultem
seus direitos. "Hoje, esse tipo de exame
pode diagnosticar o risco de desenvolver não apenas câncer, mas outras doenças,
como lúpus.", comenta Leocadio.
O resultado positivo do
teste, porém, apenas sugere o procedimento cirúrgico. Há mais opções. "Uma
saída é fazer um acompanhamento mais frequente, com exames de seis em seis
meses que permitirão o diagnóstico precoce de tumores, como a mamografia e a
ressonância magnética", afirma Maria Isabel Achatz.
Menopausa. Mulheres com
mutação genética podem ainda escolher tomar um bloqueador hormonal como forma
de prevenção. "A medicação reduz em cerca de 20% o risco de a paciente ter
a doença", diz o mastologista Antonio Luiz Frasson, do Hospital Albert
Einstein. Mas há efeitos colaterais. Quem toma adianta a menopausa.
E há outros fatores a serem
levados em consideração. Maria Isabel Achatz ressalta, por exemplo, que a
orientação das sociedades médicas americanas, que servem como guia no Brasil, é
que, em primeiro lugar, sejam retirados ovários e trompas. "Ao contrários
das mamas, os ovários são mais difíceis de acompanhar por exame médico. E sua
retirada já reduz em 50% o risco de câncer de mama. A mastectomia, por sua vez,
não reduz o risco nos ovários."
terça-feira, 14 de maio de 2013
FRAUDES MÉDICAS E HOSPITALARES
O cerco aos médicos que
indicam cirurgias desnecessárias e lucram muito com isso parece estar se
fechando. Pelo menos nos Estados Unidos.
Há duas semanas, agentes do FBI prenderam o CEO, um executivo e quatro
médicos do Hospital Sagrado Coração de Chicago acusados de envolvimento com um
esquema de propina que levou pacientes a serem submetidos a procedimentos
desnecessários e arriscados.
Segundo o "Chicago
Tribune", o FBI contou com a colaboração de funcionários que estavam
envolvidos no esquema, mas que entraram num programa parecido com o nosso
delação premiada para ajudar nas investigações.
Os procedimentos considerados desnecessários incluíam sedação, implantes
penianos e traqueostomia e eram pagos pelo Medicaid e pelo Medicare, programas
públicos de saúde do governo norte-americano. A fraude envolveu pelo menos US$
2 milhões de reembolsos indevidos e mais de US$ 225 mil em subornos pagos a
médicos só no ano de 2012.
A Jornalista Claudia Colluci – Folha de São Paulo, que escreveu essa
matéria declara que: não me admiraria nadinha se fraudes desse tipo fossem descobertas
por aqui também. O atual modelo de remuneração dos hospitais (fee for service,
ou pagamento por procedimento numa tradução livre) favorece esse tipo de
sacanagem. Quanto mais exames e procedimentos são feitos, mais os hospitais
ganham dos planos de saúde.
Atualmente, a ANS
(Agência Nacional de Saúde Suplementar) está estudando um novo modelo de
remuneração baseado em pacotes. A ideia é definir um grupo de procedimentos com
desfechos "previsíveis" (uma cirurgia de apêndice, por exemplo) e
pagar o mesmo valor para todos os hospitais. Inicialmente, haverá um projeto piloto com
cerca de 20 instituições participantes. Ainda que haja resistências óbvias, é
um começo. Esse é um assunto que interessa a toda sociedade e precisa ser
amplamente discutido. Afinal, somos nós, consumidores de serviços de saúde, que
estamos pagando essa conta.
Para Adriana Leocadio – ONG Portal Saúde o
sistema não vai melhorar enquanto os planos de saúde comandar toda cadeia econômica
que envolve os tratamentos médicos. O provável piloto que estão querendo
promover com 20 instituições funcionará para as operadoras que tem seus próprios
hospitais, clinicas médicas e laboratórios de analises clinicas.
Aqui cabe um comentário
a respeito de um processo administrativo que vem sendo conduzido pelo CRM/SP,
onde estão buscando apurar informações a respeito dos médicos através dos seus
pacientes. A alegação é de que haveria fraude por parte de médicos e
laboratórios na realização de exames clínicos desnecessários. Vejamos senhores,
nós consumidores somos os menos indicados e não devemos ser arrolados em nenhum
tipo de constrangimento.
Além disso, a sindicância
não possui isonomia, traduzindo, estão investigando somente um único laboratório
de pequeno porte, sem nenhum credenciamento com operadoras de saúde e um
pequeno número de médicos. A minha questão é: falta coragem de colocar a mão no
baú encantado dos “tidos” como grandes e renomados médicos que atuam em redes
hospitalares de referencia no Brasil e produzem todo tipo de exames através dos
seus laboratórios próprios.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
PLANOS DE SAÚDE DEVEM JUSTIFICAR RECUSA DE ATENDIMENTO EM 48h A PARTIR DE HOJE
Essa notícia foi está
sendo amplamente divulgada pela mídia de massa e os canais de comunicação da ONG Portal Saúde estão repletos de
perguntas com dúvidas. Vamos tentar esclarecer brevemente alguns pontos mais já
deixo a disposição de todos meu e-mail para maiores informações: adriana@portalsaude.org .
A Noticia: Os Planos de saúde que negarem
cobertura de exames, procedimentos e consultas, deverão justificar por escrito,
a partir dessa terça-feira, o motivo de ter negado autorização para qualquer
procedimento médico, mediante
solicitação do usuário. A negativa de cobertura respondeu por 76% das
reclamações recebidas em 2012 pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),
órgão regulador do sistema.
Em entrevista concedida
em abril, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que os tipos de queixa
que podem levar o plano de saúde a ter as vendas suspensas aumentaram. "A
negativa de atendimento dentro do rol de procedimentos obrigatórios que o plano
deve cumprir, negativa no período de carência, não oferecer ou negar exame, não
garantir o reembolso passam a ser reclamações monitoradas para suspensão do
direito de venda", explicou o ministro.
A ONG Portal Saúde questiona o Ministério
da Saúde, assim como a própria Agencia
Nacional de Saúde (ANS), quem pode esperar 48h, para obter uma suposta
aprovação dos seus tratamentos?
Vejamos: “um cardiopata da
entrada em um pronto atendimento com quadro clinico de infarto do miocárdio e
necessitar realizar cirurgia urgente para colocação de um stent. Será que esse
paciente pode ficar aguardando analise do financeiro da sua operadora?”
Como
fazer: De
acordo com informações da assessoria de imprensa da ANS, o usuário deverá fazer
a solicitação para obter a recusa por escrito no prazo de 48h - só a partir do
pedido é que a entrega será obrigatória. A recusa escrita "deve ser
transmitida ao beneficiário solicitante em linguagem clara, indicando a
cláusula contratual ou o dispositivo legal que justifiquem o motivo da
negativa". Ela poderá ser dada por correspondência ou por e-mail, conforme
escolha do usuário do plano, sempre respeitado o limite de 48h para entrega.
Multas
- Se a operadora deixar de
informar por escrito os motivos da negativa de cobertura previstos em lei
(desde que seja solicitada pelo usuário) pagará multa de R$ 30 mil. Se o caso
for de urgência e emergência, a multa será de R$ 100 mil. O usuário poderá
comprovar a recusa na entrega com o número do protocolo da solicitação,
conforme a ANS.
Vamos
compreender:
Nossa ONG Portal Saúde fica muito feliz a cada medida em relação aos planos de
saúde que possam nos dar uma esperança em relação a uma saúde suplementar mais
digna. Ocorre que nossa experiência de 15 anos atuando intensamente nessa área,
temos a tendência de ler essas noticias com um pouco de cautela e o que isso
vai gerar na pratica.
Pontos
importantes:
1) Qual a real intenção de
termos uma medida como essa? Fica evidente que se um paciente busca ajuda nos
braços do judiciário é porque já recebeu uma negativa. Traduzindo, ninguém vai
custear uma ação judicial se teve seu procedimento autorizado.
2) Como uma pessoa que está
necessitando receber um tratamento com urgência terá condições de formular um
pedido pessoal a sua operadora? Traduzindo, vamos ler essa medida nos detalhes:
“o usuário deverá fazer a solicitação
para obter a recusa por escrito no prazo de 48h”.
3) Recentemente a ANS e o
Ministério da Saúde divulgaram que as operadoras deveriam implantar uma
Ouvidoria no prazo mínimo de até 180 dias. Senhores, uma empresa necessita de
180 dias para ter uma ouvidoria? E qual a finalidade da mesma?
4) A operadora que não
seguir o procedimento será multada. Multa??? Recentemente nossa ONG Portal
Saúde participou de uma audiência publica em Brasília, promovida pela Comissão
de Direito do Consumidor – conduzida brilhantemente pelo deputado federal Ivan
Valente, onde a pauta principal foi: “ANS leva até 12 anos para multar uma
operadora de saúde”. Será que vamos ver essa história novamente?
Nossa ONG Portal Saúde
deseja que essa “nova medida” realmente venha com muita eficiência e que os
pacientes possam obter seus tratamentos rapidamente. O que não ficou claro para
nós são casos como: “paciente cardiopata dá entrada no pronto-socorro com
quadro de infarto de miocárdio e necessita ser operado imediatamente para
colocação de órtese stent”. Será que ele terá 48 horas para esperar?
Estamos à disposição de
todos!
terça-feira, 30 de abril de 2013
ATENÇÃO: NOTICIA PREOCUPANTE PARA OS MÉDICOS E USUÁRIOS DE PLANOS E SEGUROS SAÚDE
Publicada ontem no site Segs.com, a
notícia de que Federação Nacional de
Saúde (FENASAÚDE) passa a reunir todas as seguradoras de saúde em atividade
no mercado nacional. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde)
comunica a adesão de dois novos grupos de operadoras de planos de saúde: Caixa
Seguradora e Salutar Saúde Seguradora. Com esta mudança no quadro de
associadas, a Federação passa a reunir todas as seguradoras de saúde em
atividade no mercado nacional. As operadoras FenaSaúde correspondem a mais de
1/3 (um terço) do mercado em número de beneficiários.
Para maior parte das pessoas que fazem
parte da cadeia de consumo de saúde privada: médicos, hospitais, laboratórios,
clinicas e pacientes e demais entidades representantes da nossa sociedade, essa
notícia não tenha muito significado ou ainda pior, compreendam que essa noticia
é um sinal de melhoria na qualidade dos serviços que recebemos hoje por parte
dos nossos planos e seguros saúde. Doce ilusão!!!!!
Segundo a notícia, a Federação
representa operadoras líderes em qualidade e referências no respeito à Lei dos
Planos e na contribuição com a regulação da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS). A partir de agora, são 17 grupos filiados dentro de um
universo de 1.320 operadoras com beneficiários em todo o país.
Nesse ponto a ONG Portal Saúde concorda
em gênero, numero e grau. A Federação só esqueceu de mencionar que são justamente
essas operadoras “lideres em qualidade e referencia no respeito à Lei dos
Planos de Saúde” são as que mais negam tratamentos aos seus clientes. E aqui
cabe uma ressalva, estamos falando de clientes que tiveram que recorrer ao judiciário
para obter seus tratamentos como: cirurgia bariátrica, tratamento para DMRI, plástica
reparadora, tratamento para câncer, doenças vasculares, tudo já contemplado no
conhecido “rol de procedimentos aprovados pela ANS”. Traduzindo, tudo que já
está no pleno direito dos clientes. Temos que mencionar os aumentos abusivos e
o descredenciamento unilateral dos prestadores de serviços que não rezam na
cartilha dessas operadoras. O sistema de livre reembolso que o paciente NUNCA tem acesso ao seu percentual ou
ainda pior, quando as operadoras impõem regras INEXISTENTES para efetuar o reembolso ao seu cliente, como:
relatório médico detalhado, razão de ter feitos determinado exame ou
tratamento. Afinal, o sistema é LIVRE ou
NÃO???
A entidade reúne as seguintes
associadas: Allianz Saúde S/A, Grupo Amil Saúde, Grupo Bradesco Saúde, Care
Plus Medicina Assistencial Ltda, Golden Cross Assistência Internacional de
Saúde Ltda, Grupo Intermédica, Itauseg Saúde S/A, Marítima Saúde Seguros S/A,
Metlife Planos Odontológicos Ltda, Odontoprev S/A, Omint Serviços de Saúde
Ltda, Porto Seguro – Seguro Saúde S/A, Grupo Sul América Saúde, Tempo Saúde e
Unimed Seguros Saúde S/A.
Essas grandes empresas ganham em todas
as áreas, elas são donas: dos hospitais, das clinicas, dos laboratórios de
analises patológicas e de imagem, dos médicos e da gente.
Nós gostaríamos muito de convidar
nossos leitores, Membros do Congresso Nacional que representam nossa população,
Ministério Publico, CRM e CFM, AMB, IDEC, PROTESTE, PROCON, CADE, FENAM e ONGs
da Saúde para promover uma minuciosa analise de todos os fatos que estão
ocorrendo nos últimos anos na saúde suplementar e o que podemos esperar.
Precisamos nos unir e somar forças, são
nossas vidas que em algum momento estarão nas mãos dos gestores financeiros
dessas operadoras decidindo de podemos ter ou não um tratamento.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Bebê gerada após seleção genética doa medula à irmã
MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Maria
Vitória, 6, nasceu com talassemia major, uma doença hereditária que prejudica a
produção de glóbulos vermelhos. A cada três semanas, tinha que receber
"sanguinho", termo usado por seus pais para se referir às transfusões
frequentes. Há um ano e dois meses, ela ganhou a irmã que tanto pediu aos pais
e que poderia ajudá-la a se ver livre da doença por meio de uma doação de
células-tronco. Maria Clara, a irmã mais nova, foi gerada a partir de um
embrião selecionado em um tratamento de fertilização in vitro feito pelos pais.
A
seleção buscou embriões sem a talassemia major e compatíveis para um
transplante de células-tronco. O procedimento trazia uma chance de até 90% de
cura para Maria Vitória. Por isso,
quando a mais nova nasceu, as células-tronco de seu cordão umbilical foram
colhidas e congeladas. Mas, como o número de células-tronco do cordão não era
suficiente para o transplante, considerando o peso da mais velha, foi preciso
esperar até que a caçula crescesse um pouco mais para que também fossem
retiradas as células-tronco de sua medula óssea por uma punção no osso ilíaco,
na bacia.
Há
22 dias, o transplante finalmente foi feito. E, nesta semana, apresentou
resultados: a medula óssea de Maria Vitória teve "pega", ou seja,
passou a produzir suas células de maneira saudável. O geneticista Ciro
Martinhago foi o responsável pela seleção dos embriões. Segundo ele, o caso
abre brecha para que outras doenças também possam ser tratadas dessa maneira,
como a leucemia. Depois do nascimento de Maria Clara, Martinhago já usou o
método em outros 20 casos, a maioria para talassemia major e anemia falciforme.
A
ONG Portal Saúde que já abriu portas
para que portadores de doenças genéticas tenham seu tratamento custeado pelo
plano de saúde, utilizando a força do judiciário, esse é mais um procedimento
que vamos abraçar as causas das pessoas que nos procurarem. “É importante
mencionar que casos como da Maria Vitória devem ser emblemáticas para nossa
luta – diz Adriana Leocadio – especialista em direito e saúde e Membro da
Organização Mundial da Saúde (OMS)”.
A
ONG Portal Saúde disponibiliza parceria com advogados especializados em causas
como a da Maria Vitória e consegue que fazer com que tratamentos como esses
sejam custeados pelos planos de saúde.
domingo, 14 de abril de 2013
O QUE A GENTE LUTA É PELA VIDA
A polêmica novamente
ganha vida. Grupos se acusam de discussões apaixonadas. É apaixonante mesmo, o
tema mexe com a vida, a natureza, mexe com ciência e com a morte.
Difícil não opinar
apaixonadamente, seja de que lado estiver, já que o assunto pouco permite o
meio-termo. O que não podemos é continuar nessa guerra fria onde de um lado
temos a ciência e do outro o Estado e os Planos de Saúde.
Acredito sim no
esforço que o Estado vem promovendo para alcançar um padrão de tratamento de
melhor qualidade. Contudo, criar procedimentos administrativos complexos, tentar
doutrinar nossos magistrados com informação pouco verossímil, é algo que não
eleva nosso patamar na obtenção de um tratamento justo. Por corresponder a um
assunto que desperta bastante atenção de toda a sociedade e ter relevante
interesse no mundo jurídico pela sua abrangência, a análise da Improbidade
Administrativa manifesta-se pertinente uma vez que a má gestão da coisa pública
e privada traz inúmeros malefícios que obstam o desenvolvimento de toda uma
nação.
Já está na hora de
qualificarmos a do população no que tange aos direitos previstos em nossa
Constituição Federal, Código de Defesa do Consumidor, Lei 9.656/98 – que rege os
planos de saúde. Qualificar usando uma linguagem simples e popular.
“A saúde é
uma questão urgente e mundial”. Talvez todo meu investimento nesses
últimos anos a frente da ONG Portal Saúde e como especialista
na área do consumidor, tenha sido o maior aprendizado a respeito do ser humano.
Sempre quis usar meus conhecimentos para
transformar. Quando terminei de montar a primeira etapa da ONG..., percebi a
importância de falar sobre o assunto e soube de uma informação básica: todos nós temos direito a qualquer tipo de
tratamento ou medicamento seja pelo Estado seja pelos Seguros e Planos de
Saúde. “Fiquei impressionada com a minha ignorância e vi que muitos dos meus
amigos não sabiam e não sabem disso”.
Nessas situações de
dor e dificuldade, aprendi que a relação com o “objeto de interesse” é
fundamental para desenvolver esse tipo de trabalho. Nenhuma instituição pode
mais permanecer de braços cruzados ou levantados superficialmente. É
inconcebível sob todos os aspectos que milhares de usuários do SUS e dos Seguros
e Planos de Saúde que necessitam de atendimento de urgência e emergência fiquem
à mercê da própria sorte diante da incapacidade do Poder Público e Privado em
lhes assegurar a garantia constitucional de que “Saúde é direito do cidadão e
dever do Estado”.
Somente com transparência contábil – sem necessidade de discursos – será possível saber o que se passa com a gestão plena da Saúde. Enquanto o caso for tratado como desafio ou queda de braço, não será possível chegar ao cerne da questão. O tema central é: “Compromisso com a ciência, tecnologia e inovação com o direito à saúde” É preciso respeitar a vida do início ao fim. “A vida é um processo que se inicia na fecundação. “A humanização vai acontecendo desde a fecundação até a morte”.
Somente com transparência contábil – sem necessidade de discursos – será possível saber o que se passa com a gestão plena da Saúde. Enquanto o caso for tratado como desafio ou queda de braço, não será possível chegar ao cerne da questão. O tema central é: “Compromisso com a ciência, tecnologia e inovação com o direito à saúde” É preciso respeitar a vida do início ao fim. “A vida é um processo que se inicia na fecundação. “A humanização vai acontecendo desde a fecundação até a morte”.
Precisamos trazer a
pauta o que está por trás dos interesses dos comandates da saúde pública e ainda
pior porque nomeiam representantes para saúde suplementar que luta mais pelas
Operadoras de Saúde Privada do que pelos seus consumidores. Como pode permitir a
propriedade cruzada na saúde suplementar?
“Violar a vida é o
caminho da morte”FREI ANTÔNIO
MOSER
Para conversar com a
Presidente da ONG Portal Saúde basta escrever para o e-mail: adriana@portalsaude.org ou através do
telefone: (11) 999056373 . Site: www.ongportalsaude.blogspot.com
terça-feira, 2 de abril de 2013
AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO DA SAÚDE SUPLEMENTAR NO BRASIL
O Brasil escolheu permitir a
exploração privada dos serviços de saúde. Assim se faz há muito tempo. Tudo
começou com as filantrópicas Santas Casas, há mais de um, quase dois séculos.
Lá atrás no tempo, já se tinham, no interior afora, as clínicas particulares.
Depois os Hospitais, associativos ou mesmo particulares. Na década de 90
surgiram os chamados planos de saúde, na esteira da fragilidade do sistema
público, chamado pela Constituição de 1988 como Sistema Único de Saúde, o SUS.
Foi mais cômodo para a sociedade tolerar o surgimento dos planos do que
reivindicar um sistema público de qualidade. Pegou carona, ou mesmo patrocinou
essa lógica perversa, o "empresariado da saúde". Se o sistema público
for ineficaz, as oportunidades da "saúde privada" serão maiores. E
nisso as mídias foram fundamentais; e deram sua contribuição, criticando ações
públicas, e nunca estimulando o caminho da pressão para uma melhora do sistema
público. Os governos permitiram sua trajetória toda. A comunidade, omissa na
maior parte das vezes, reclama, denuncia, mas não foi capaz de agir
concretamente para uma melhora no SUS. A parcela que economicamente "pode
mais", não reivindicaria mesmo uma melhora no SUS. Ela tem o caminho mais
fácil de pagar pelos cuidados com a saúde. Rapidamente aderiu aos planos, e com
isso fortaleceu-os. "Brasil do meio", que não pode (economicamente),
mas acha que pode, sacrificou-se e sacrifica-se, e também enveredou pelo
caminho da adesão aos planos de saúde. Tudo conspirou para a implantação plena
do mercado da saúde; para a consolidação dos tais planos e seguros. Este o cenário
que se tem. Doutra banda, o consumidor ganhou força e ferramentas para se
defender das investidas do "mercado". Nasceu o Código do Consumidor,
inédito, consistente, inovador. Mas a essa altura da caminhada as opressões do
"mercado" eram gigantescas. Começaram as reações. Todos
freneticamente "buscando seus direitos". É o que mais se fala. É o
que mais se apregoa. Nas mídias e fora delas. O espaço do consumidor se fez
perceber. Na área da "saúde privada" o cenário começou a se agitar. A
situação começou a se tornar, na essência, conflituosa.
De um lado, o Estado/Governo,
omitindo-se na melhoria do SUS e assistindo de camarote a ampliação do mercado
da saúde privada. Para dizer que não estava omisso e ausente, criou agência
reguladora (ANS). A Lei nº 9.961/2000
que criou a Agência Nacional de Saúde
Suplementar – ANS, autarquia sob o regime especial, vinculada ao Ministério
da Saúde e atuação em todo o território nacional, como órgão de regulação,
normatização, controle e fiscalização das atividades deveria ter como principal
função garantir a assistência suplementar à saúde. O art. 3º de referida Lei e o art. 1°, §§ 1º e 2º do Regimento Interno
instituído pela Resolução Normativa nº 197, de 16 de julho de 2009,
prelecionam que a ANS terá por finalidade institucional promover a defesa do
interesse público na assistência suplementar à saúde, regulando as operadoras
setoriais, inclusive quanto às suas relações com prestadores e consumidores,
contribuindo para o desenvolvimento das ações de saúde no País (art. 1º, § 2º do Regimento Interno ANS).
Ficou assim: pode ser explorado
economicamente o serviço de saúde, com limites. Para agradar o Brasil que cada
vez mais aderia aos tais planos e seguros (hoje são milhões de vidas
assistidas), o Estado se prontificou a fazer um papel regulador. Mas o problema
fundamental estava criado: permitir exploração econômica de um ramo que é vital
(saúde), cujos cuidados, na essência, não combinam com exploração econômica. Traço
este cenário, coincidentemente, quando acabamos de comemorar no mês de março,
(dia 15) o dia internacional do consumidor. E vejo, como dizem alguns pelo
mundo jurídico, que o consumidor passou a ter espaços privilegiados, a ponto de
poder ser chamado de "sua excelência o consumidor". Mas nem por isso
as relações consumeristas estão bem. Melhoraram, mas ainda estão longe de um equilíbrio
entre fornecedores e tomadores de bens e serviços. O Judiciário está colocado
no miolo desses debates e tensões e é chamado a decidir os conflitos que a cada
dia se avolumam (são mais de
20.000 recursos por Corte de São Paulo em 2012). Nesse sentido, o interesse
público a que se refere o § 2º do art.
1º do Regimento Interno da ANS é aquele que se evidência a partir do
direito de qualquer cidadão levar ao conhecimento do poder público atos ilegais
ou abusivos que decorram da relação com prestadores e consumidores, adotando as
medidas que entender cabíveis para fazer cessar o ato, notadamente aqueles que
decorram de seus deveres legais e institucionais.
Na área da saúde privada alguns
pontos de interpretação do direito se expandiram, chegando mesmo a extremos.
Nitidamente puxando a história para o lado tido como mais fraco,
hipossuficiente. Por expressa previsão legal, as infrações aos dispositivos da
Lei nº 9.656/98 e seus regulamentos, ou aos dispositivos dos contratos firmados
entre operadoras e usuários de planos privados de assistência à saúde, estão
sujeitas às penalidades que especifica e serão apuradas mediante processo
administrativo que tenha por base REPRESENTAÇÃO dos fatos irregulares, cabendo
à ANS apreciá-los, verbis:
Art. 29. As infrações serão apuradas
mediante processo administrativo que tenha por base o auto de infração, a
representação ou a denúncia positiva dos fatos irregulares, cabendo à ANS
dispor sobre normas para instauração, recursos e seus efeitos, instâncias e
prazos (grifamos).
A ONG Portal Saúde vem manifestação a posição e repetindo: entendemos
que o Sistema Único de Saúde não pode e não deve ser substituído por esses
contratos; e a perspectiva de leitura de um (SUS), e de outros (plano e seguro
privados de saúde) são absolutamente diversas. No primeiro (SUS) a obrigação
decorre de uma escolha feita pela Nação, já na Constituição de 1988, que
declarou os mecanismos de proteção e atenção à saúde como direito de todos e obrigação
do Estado (art. 196). Nos outros
(plano e seguro de saúde), a obrigação é contratual, livremente pactuada entre
o consumidor e as operadoras (a assistência à saúde é livre à iniciativa
privada, com temperamentos e regulações- art.
199, da Constituição Federal).
Nos inquieta o fato do Judiciário ser
tão acionado para resolver pendências e conflitos decorrentes dos contratos de
planos e seguros de saúde. É a judicialização da "saúde privada'. E a tendência é alargar os limites de
cobertura, atendimento e responsabilidade das empresas/entidades que se dedicam
a esse ramo da atividade econômica. A presente Declaração Universal dos
Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas
as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade,
tendo sempre em mente esta Declaração, se esforcem, através do ensino e da
educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção
de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o
seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os
povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob
sua jurisdição. O Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos
afirma: "Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar para
si e para a sua família saúde e bem-estar". O paciente tem direito a
atendimento de qualidade, atencioso e respeitoso e de realizar quantos exames
forem necessários para a formação de um quadro clinico pelo médico. Numa
sociedade consumista, na qual valores, infelizmente, se diluem, a medicina deve
atuar como guardiã de princípios e valores, impedindo que os excessos do
sensacionalismo, da autopromoção e da mercantilização do ato médico comprometam
a própria existência daqueles que dele dependem.
E assim vai ... O Brasil "que
pode" ou "acha que pode" se omitindo em buscar um SUS sempre
melhor para contenta-se em aderir às possibilidades da "saúde
privada". É o nicho da saúde privada, que faz despertar as associações de
médicos pelo interesse do poder econômico, ao que parece, não por ideal, mas
porque é rentável, faz com os conflitos se multipliquem. E assim esta indo...
De acordo a FENAM, a saúde suplementar teve seus objetivos desvirtuados em
função do modo como os empresários do setor têm operado, ou seja, com foco no
lucro e ignorando necessidades apontadas pelos pacientes e profissionais. “Os
problemas existentes se acumulam e comprometem, sobremaneira, a assistência
oferecida aos cerca de 60 milhões de brasileiros que fazem uso dos serviços
contratados”. O“que está em jogo é o exercício profissional de 170 mil médicos
e a assistência, completa o Conselho
Federal de Medicina (CFM) e coordenador da Comissão Nacional de Saúde Suplementar (COMSU).
Um dos grandes problemas é que as
operadoras de saúde querem ganhar de todos os lados. Os planos de saúde
deveriam ser proibidos de serem donos de hospitais e laboratórios e médicos
credenciados. Como atuar em todas as pontas? Há um conflito de interesses que
pode prejudicar a qualidade do serviço, por exemplo, para baixar custos. E,
nesses casos, consumidor e médicos e empresários que constituem negócios na
área da saúde são os mais prejudicados.
Os
planos de saúde atualmente são detentores de toda cadeia econômica que os
cercam:
1) São donos dos hospitais;
2)
São donos das redes de laboratórios de analises clinicas e de imagem;
3) São donos dos médicos
credenciados, onde podem administrar os tratamentos solicitados e a quantidade
de exames.
Temos como exemplo a Federação Nacional de Saúde Suplementar
(FENASAÚDE) que criou um verdadeiro cartel e domina todo mercado em
conformidade com os interesses financeiros das empresas que compõem o grupo. Interesse
apreciar que das 30 operadoras que foram supostamente penalizadas pela ANS em
2012, com a proibição da venda de novos planos, NEHUMA faz parte do grupo da FENASAÚDE, ou seja, as tidas como
grandes operadoras, por exemplo: Bradesco Saúde, Amil, Sul América, Notre Dame,
Porto Seguro, Omint, Allianz, Golden Cross, entre outras.
ANS E CADE ESTÃO ATENTOS
Á CONCENTRAÇÃO NO SETOR
Com o movimento claro de consolidação
do setor de saúde, empresas com atuação apenas nas esferas municipais tendem a
ser absorvidas por grupos maiores, na avaliação do presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade), Vinícius Carvalho. Essa concentração, de acordo com ele, gera
preocupações para o órgão antitruste, que renovou nesta segunda-feira um acordo
de cooperação técnica com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
"O aumento das exigências pela
ANS gera, do ponto de vista da concorrência, aumento de barreiras de entradas,
e a tendência é cada vez mais de consolidação do setor", considerou
Carvalho. De acordo com ele, não haverá saídas para o órgão a não ser o de
impor e criar "remédios" para evitar que a área se torne
excessivamente concentrada. "A ANS se colocou à disposição para solucionar
a questão no caso de operações 'sensíveis'", disse.
Para Adriana Leocadio, presidente da ONG Portal Saúde e Membro da
Organização Mundial da Saúde (OMS) é no mínimo estranho que o órgão do
governo responsável por fiscalizar os planos de saúde, a ANS (Agência Nacional
de Saúde Suplementar) leva até 12 anos para analisar processos em que
operadoras de planos de saúde são acusadas de irregularidades contra seus
clientes. Na eterna guerra fria entre médicos, laboratórios clínicos,
laboratórios farmacêuticos e hospitais estão os pacientes que pagam com muita
dificuldade, mensalmente as parcelas do plano de saúde na ilusão de que no
momento em que venham a necessitar estarão amparados. Doce ilusão. Para os
2.000 clientes/ Jan-Março de 2013 que procuram nossa ONG Portal Saúde fica
evidenciado que ANS é uma grande mãe para Operadoras de Saúde. São inúmeras as
negativas de tratamentos sendo solucionadas nos braços da justiça, são médicos
conduzidos suspeitamente ao próprio CRM para explicar porque solicita
realização de exames ou procedimentos cirúrgicos. São perícias indevidas
realizadas por médicos que possuem vinculo estreito com grandes operadoras e
possuem vinculo comercial com o comitê e assessoria e delegados do CREMESP, Vide caso que estamos apurando
que envolve o Dr. Antônio Pereira Filho e o médico perito da SulAmerica Eduardo
Dib Abud.
A intenção, conforme representantes
dos dois órgãos é trocar informações sobre o setor, com o envio de notas,
pareceres e dados setoriais. "A Agência monitora a evolução desse mercado
e, por conta de acordo, vamos contribuir no processo decisório do Cade em
relação a questões concorrenciais", considerou o diretor-adjunto de normas
e habilitação das operadoras da ANS, Leandro Fonseca da Silva. Para Silva, o
acordo tende a possibilitar decisões "mais robustas" tanto do órgão
regulador quanto do Cade, levando em consideração os impactos setoriais e
concorrenciais. Segundo o Conselho, há cerca de uma dezena de processos em
tramitação no órgão atualmente.
A nossa ÚNICA recomendação é que todos somem forças para uma melhora coletiva
e que os médicos recomendem aos seus pacientes a buscar um advogado
especialista em direito e saúde para fazer valer seus direitos sempre
preventivamente. Que o Cade analise profundamente todos os processos. A
concentração de operadoras não é o maior problema em relação à ANS. É preciso
sair de uma medicina simplesmente curativa para um modelo que privilegie a
prevenção de doenças e a promoção de saúde. Quanto a como fazer essa
transformação e qual o desenho ideal para “produzir” saúde é que surgem divergências
entre especialistas e ANS.
Estamos diante de uma luta árdua em
prol de uma melhora no sistema de saúde suplementar (seguros e planos de
saúde). Precisamos muito somar todas forças com vocês clientes de diferentes
formas: pacientes, médicos, clinicas, laboratórios de analises e hospitais. O
apoio a nossa causa está conseguindo preciosos guerreiros do segmento politico
em Brasília, sendo nosso ancora o Deputado Federal Ivan Valente. Graças a força
e vontade de agir desse guerreiro teremos em breve uma audiência pública que
vai dar inicio a uma batalha. Contamos com vocês e peço a gentileza de ler o
link abaixo e quem tiver qualquer caso pelo qual passou nos últimos tempos
conte sua história para nós através do e-mail: contato@portalsaude.org .
http://fiscaisdosplanosdesaude.blogspot.com.br/
Atenciosamente,
Adriana Leocadio
www.ongportalsaude.blogspot.com
Fones: 55 (11) 3045.4683 - 5044.2433 - 99905.6373
quarta-feira, 27 de março de 2013
CADE APLICA MULTA MILIONÁRIA POR PRÁTICA DE CARTEL
Seis associações também
foram condenadas; multa chega a R$ 38
milhões. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aplicou, nesta
quarta-feira , uma multa milionária ao Escritório Central de Arrecadação e
Distribuição (Ecad), o órgão responsável por arrecadar e distribuir os direitos
autorais das músicas. (veja
reportagem exibida no Jornal Nacional.). Seis associações que representam artistas
também foram condenadas por prática de cartel. Segundo o conselheiro do Cade,
Marcos Veríssimo, falta transparência no sistema de arrecadação e distribuição
de direitos autorais. Ele afirmou, também, que é preciso um controle externo
nessa arrecadação.
Foi com muita esperança que
nossa ONG Portal Saúde recebeu essa
notícia. Estamos lutando acirradamente para que o Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade) faça uma minuciosa apuração do calibre acima no cartel
formado pelas maiores operadoras de saúde do Brasil. Órgão do governo
responsável por fiscalizar os planos de saúde, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) leva até 12 anos para
analisar processos em que operadoras de planos de saúde são acusadas de
irregularidades contra seus clientes.
A ONG Portal Saúde vem
relatando há tempos que a ANS é a raposa cuidando do galinheiro e com isso o
caos na saúde privada está tomando conta do Brasil. Somente pelas mãos dos
especialistas em direito e saúde é que o judiciário tem conseguido salvar
muitas vidas. Nossa luta é grande e árdua, relata Adriana Leocadio – presidente da ONG Portal Saúde e Membro da
Organização Mundial da Saúde. A ONG recebe em média 30 reclamações por dia
de clientes que tem suas vidas colocadas nas mãos das operadoras de saúde e
ficam reféns de uma aprovação para realização de um procedimento médico que não
vem. Diante disso nossa missão passa a ser dar acessibilidade ao tratamento e
propagar o máximo possível que o cidadão tem e deve ir atrás dos seus direitos
e na área da saúde podemos dizer que ele é imediato. Pacientes e médicos a
respeito de participação em processos criminais movido pela ANS e FENASAÚDE envolvendo pacientes dos
planos de saúde, médicos (credenciados e particulares) e prestadores de serviços
médicos (Laboratórios de Analises Clinicas) sob alegação de estelionato e
formação de quadrilha, ou seja, médicos estariam supostamente prescrevendo
exames clínicos sem necessidade e pacientes sendo obrigados a realizar os
exames nos Laboratórios indicados pelos médicos. Em nome de nossa ONG Portal
Saúde afirmamos que verificamos todas as informações, fomos verificar
pessoalmente os autos dos processos criminais, conseguimos conversar e levantar
documentos com algumas das partes envolvidas nos processos, inclusive temos as
oitivas de pacientes que tiveram que comparecer a uma delegacia de policia para
prestar depoimento, cometendo assim a quebra do sigilo da relação
médico-paciente e temos inclusive laudos de exames que foram anexados aos autos
dos processos. Na eterna guerra fria entre médicos, laboratórios clínicos,
laboratórios farmacêuticos e hospitais estão os pacientes que pagam com muita
dificuldade, mensalmente as parcelas do plano de saúde na ilusão de que no
momento em que venham a necessitar estarão amparados. Doce ilusão. São perícias
indevidas realizadas por médicos que possuem vinculo estreito com grandes
operadoras e possuem vinculo comercial com o comitê e assessoria e delegados do
CREMESP, Vide caso que estamos
apurando que envolve o Dr. Antônio Pereira Filho e o médico perito da Sul
América Eduardo Dib Abud. Nosso maior sonho é que o Cade analise profundamente
todos os processos. A concentração de operadoras não é o maior problema em
relação à ANS. É preciso sair de uma medicina simplesmente curativa para um
modelo que privilegie a prevenção de doenças e a promoção de saúde. Quanto a
como fazer essa transformação e qual o desenho ideal para “produzir” saúde é
que surgem divergências entre especialistas e ANS.
Para ONG Portal Saúde um dos
grandes problemas é que as operadoras de saúde querem ganhar de todos os lados.
Os planos de saúde deveriam ser proibidos de serem donos de hospitais e
laboratórios. Como atuar nas duas pontas? Há um conflito de interesses que pode
prejudicar a qualidade do serviço, por exemplo, para baixar custos. E, nesses
casos, consumidor e médicos e empresários que constituem negócios na área da
saúde são os mais prejudicados. Temos como exemplo a Federação Nacional de
Saúde Suplementar (FENASAÚDE) que criou um verdadeiro cartel e domina todo
mercado em conformidade com os interesses financeiros das empresas. Adriana
Leocadio ressalta que o conceito de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS)
não é a ausência de doença. Essa visão de saúde curativa permeia o inconsciente
coletivo, tanto do consumidor como na forma de prestação de serviço. As
propostas da ANS são tímidas, apesar de a estratégia de saúde preventiva ser
boa.
terça-feira, 19 de março de 2013
ANS E CADE ESTÃO ATENTOS Á CONCENTRAÇÃO NO SETOR
Com o movimento claro de
consolidação do setor de saúde, empresas com atuação apenas nas esferas
municipais tendem a ser absorvidas por grupos maiores, na avaliação do
presidente do Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade), Vinícius Carvalho. Essa concentração, de acordo
com ele, gera preocupações para o órgão antitruste, que renovou nesta
segunda-feira um acordo de cooperação técnica com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
"O aumento das
exigências pela ANS gera, do ponto de vista da concorrência, aumento de
barreiras de entradas, e a tendência é cada vez mais de consolidação do
setor", considerou Carvalho. De acordo com ele, não haverá saídas para o
órgão a não ser o de impor e criar "remédios" para evitar que a área
se torne excessivamente concentrada. "A ANS se colocou à disposição para
solucionar a questão no caso de operações 'sensíveis'", disse.
Para Adriana Leocadio, presidente da ONG Portal Saúde é no mínimo
estranho que o órgão do governo responsável por fiscalizar os planos de saúde,
a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) leva até 12 anos para analisar
processos em que operadoras de planos de saúde são acusadas de irregularidades
contra seus clientes. Na eterna guerra fria entre médicos, laboratórios
clínicos, laboratórios farmacêuticos e hospitais estão os pacientes que pagam
com muita dificuldade, mensalmente as parcelas do plano de saúde na ilusão de
que no momento em que venham a necessitar estarão amparados. Doce ilusão. Para
os clientes que procuram nossa ONG Portal Saúde fica evidenciado que ANS é uma
grande mãe para Operadoras de Saúde, como sempre relatamos, “a raposa cuidando
do galinheiro”. São inúmeras as negativas de tratamentos sendo solucionadas nos
braços da justiça, são médicos conduzidos suspeitamente ao próprio CRM para explicar porque solicita
realização de exames ou procedimentos cirúrgicos. São perícias indevidas
realizadas por médicos que possuem vinculo estreito com grandes operadoras e
possuem vinculo comercial com o comitê e assessoria e delegados do CREMESP, Vide caso que estamos apurando
que envolve o Dr. Antônio Pereira Filho e o médico perito da SulAmerica Eduardo
Dib Abud.
A intenção, conforme
representantes dos dois órgãos é trocar informações sobre o setor, com o envio
de notas, pareceres e dados setoriais. "A Agência monitora a evolução
desse mercado e, por conta de acordo, vamos contribuir no processo decisório do
Cade em relação a questões concorrenciais", considerou o diretor-adjunto
de normas e habilitação das operadoras da ANS, Leandro Fonseca da Silva. Para
Silva, o acordo tende a possibilitar decisões "mais robustas" tanto
do órgão regulador quanto do Cade, levando em consideração os impactos
setoriais e concorrenciais. Segundo o Conselho, há cerca de uma dezena de
processos em tramitação no órgão atualmente.
A nossa ÚNICA recomendação é que todos somem
forças para uma melhora coletiva e que os médicos recomendem aos seus pacientes
a buscar um advogado especialista em direito e saúde para fazer valer seus
direitos sempre preventivamente. Que o Cade analise profundamente todos os
processos. A concentração de operadoras não é o maior problema em relação à
ANS. É preciso sair de uma medicina simplesmente curativa para um modelo que
privilegie a prevenção de doenças e a promoção de saúde. Quanto a como fazer
essa transformação e qual o desenho ideal para “produzir” saúde é que surgem
divergências entre especialistas e ANS.
Para ONG Portal Saúde um
dos grandes problemas é que as operadoras de saúde querem ganhar de todos os
lados. Os planos de saúde deveriam ser proibidos de serem donos de hospitais e
laboratórios. Como atuar nas duas pontas? Há um conflito de interesses que pode
prejudicar a qualidade do serviço, por exemplo, para baixar custos. E, nesses
casos, consumidor e médicos e empresários que constituem negócios na área da
saúde são os mais prejudicados. Temos como exemplo a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FENASAÚDE) que criou um
verdadeiro cartel e domina todo mercado em conformidade com os interesses
financeiros das empresas. Adriana Leocadio ressalta que o conceito de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) não
é a ausência de doença. Essa visão de saúde curativa permeia o inconsciente
coletivo, tanto do consumidor como na forma de prestação de serviço. As
propostas da ANS são tímidas, apesar de a estratégia de saúde preventiva ser
boa.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
A dor merece nosso constrangimento
Devo estar cultivando a insensibilidade, já que não me comoveu o choro
presidencial nem a circunspeção dos políticos nos funerais. Além disso, temos
que suportar o horroroso espetáculo dos apresentadores explorando a biografia
das vítimas ou especialistas explicando como os alvéolos são destroçados pela
inalação de fumaça. Nesse campo de batalha, só cabem urros, uivos, ritos de
contrição. A dor merece nosso constrangimento.
São poucas ou muitas as palavras que
podem descrever acuradamente o absurdo. Absurdo é pouco, estultilóquio,
limitado, dislate, distante. Precisava de um vocábulo sem precedentes. Pois
“galimatias” revela um glossário analógico apropriado para o desastre gaúcho:
um acervo de heresias e incoerências disparatadas, coxia de desconchavos,
parvoíce chapada, um amontoado de cacaborradas, aranzel, inépcia, chocarrice.
Para contornar registros menos recomendáveis ao grande público, cada um deles
pode indicar o repertório que se passa pelas nossas cabeças quando tragédias
completamente evitáveis parecem inevitáveis.
A falta de decência não é só fazer as
coisas sem pensar que outros podem se ferir ou sair lesados. Paira no ar um
senso de desproporção, tocado pelo culto ao único mito invicto de nossa era:
grana.
Há uma máxima que deveria vir
instantaneamente à cabeça de qualquer um: “Tratarei todo filho como se fosse
meu”. Passa longe do sentimento predominante. Que dizer dos donos do lugar e
dos homens da segurança? Inicialmente, sem perceber a eminente tragédia, impediram
pessoas de sair do inferno. Quais as regras a serem seguidas e quais merecem
desobediência civil já?
Não sei quantos mais poderiam ter sido
salvos da asfixia, da carbonização. Uma vida poupada teria feito toda
diferença. Mas havia a barreira do execrável pedágio, a pirotecnia fora de
lugar, o entupimento das salas, as formigas espremidas na armadilha.
Não vem ao caso apontar para a banda ou
para os proprietários como alvos óbvios de punição e responsabilização
criminal. Já que pais e mães tiveram seus futuros cassados, e as vítimas ardem
na sombra, seria preferível acompanhar o que o poder público tem a dizer.
Em geral, fiscais são bons burocratas
e, raramente, têm consciência de seu papel vital na prevenção dos desastres.
Prevenção, lugar-comum, baixa visibilidade, antipopular, mas a única
palavra-chave para não termos que ouvir a esfarrapada desculpa “fatalidade”.
Isso não é um se, está acontecendo agora. Nas enchentes, na calamidade absoluta
que é a segurança pública do país, na incapacidade organizacional para gerir o
dia a dia das cidades. A verdade é que, se ainda vivemos ilesos, é por sorte e
apesar do Estado. E não se trata de apontar para um único partido. Todos
comungam deste mínimo múltiplo comum, a incapacidade de enxergar que toda matéria
política caberia numa sentença: governo é para o povo. Submergidos no populismo
ignorante, cosmético e estelionatário, quanto dinheiro ainda será arrecadado
nas miríades de impostos pagos para fiscalizar e manter as bocas de lobo, as
escolas, o passeio publico, a segurança, a defesa civil? E como isso será
gasto? Não sabemos e ninguém sabe. Mark Twain escreveu: “O governo é meramente
um servo, meramente um servo temporário: não pode ser sua prerrogativa
determinar o que está certo e o que está errado, e decidir quem é um patriota e
quem não é. Sua função é obedecer a ordens, não originá-las”.
Só quando os administradores forem
imputáveis e sentirem nos bolsos e na privação de liberdade que, se falharem em
prevenir o prevenivel sofrerão consequências pesadas, talvez tenham
mudanças efetivas no dislate que é o planejamento público no Brasil. Só quando
a opinião pública exigir que as apurações não se limitem a dois ou três bodes
expiatórios, mas, a quem, de fato, permitiu a vigência do absurdo. Talvez ai, calçados
na educação solidária, o respeito aos cidadãos terá status de lei.
Na hora dos massacres a solidariedade
autêntica vem das pessoas desvinculadas do poder. Emerge pura da nossa emoção,
premida pelo nada, esvaziada de sentido, e lapidada pela voz rouca do abandono.
Um sobrevivente do incêndio descreveu “Vi o monte de corpos empilhados uns em
cima dos outros, como os judeus no Holocausto”. Ainda que o cenário justifique
a analogia, a outra semelhança é a gratuidade com que essas vidas foram
incineradas.
Todos nós, civilizados desde o berço,
podemos enxergar tragédias como inerentes à condição humana. Rachaduras na
placa continental, asteroides, furacões e terremotos são eventos inevitáveis,
às vezes inexoráveis. Crematórios, não. A dor merece nosso constrangimento,
assim ao menos sofreremos todos juntos. Não entendo bem por que, mas parece que
precisamos nos derreter para nos unirem.
Qualidade de vida: Medidas e Padrões gerais
Qualidade de vida é uma noção
eminentemente humana, que tem sido aproximada ao grau de satisfação encontrado
na vida familiar, amorosa, social e ambiental e à própria estética existencial.
Pressupõe a capacidade de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos,
que determinada sociedade considera seu padrão de conforto e bem-estar.
O exercício dos
direitos não cura, mas pode aliviar!
Adriana da Cunha
Leocadio – Especialista em direito e saúde, Bacharel em Direito, Membro da
Organização Mundial da Saúde – OMS e Presidente da Ong Portal Saúde.
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